‘Até para pôr lixo na rua, chamo a segurança’, diz moradora do Morumbi

Moradores do Morumbi estão preocupados com os índices de criminalidade, que, dizem, só aumenta. A sensação de insegurança tem feito com que muitos mudem hábitos e rotinas, e cobrem do poder público um maior policiamento nas ruas.

“Quem quer viver em um bairro onde não se pode colocar o lixo na rua com segurança?”, questiona a escritora Cláudia Antunes Jollo. Ela diz que o marido foi assaltado na porta de casa há dois meses. Desde então, a escritora conta com segurança particular até para as operações mais simples. “Para você ter uma ideia do que a gente está passando, a minha empregada, quando vai colocar o lixo na rua, eu preciso chamar um carro de apoio tático, de segurança privada, para poder abrir o portão.”

Na Praça Vinicius de Moraes, ao lado do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, a publicitária Fraine Botelho também desabafa: “Está faltando policiamento, sim”. Ela mora no bairro há 15 anos e nunca foi vítima de violência no local. Mesmo assim, diz que ela tem aumentado. “A gente sai pra jantar e está arriscado de ser assaltado em um restaurante, volta pra casa e está arriscado a ser assaltado em casa”, lamenta. “Não é botar a culpa na favela, mas o problema é que realmente a gente tem muito pouco policiamento”, diz, em referência às comunidades pobres que circundam o Morumbi.

Na quarta-feira (24), a Polícia Militar iniciou a Operação Colina Verde (significado indígena para a palavra Morumbi), para aumentar o efetivo nas ruas do bairro e “aumentar a visibilidade da polícia”. Com isso, a a polícia espera dar “sensação de segurança à população”, segundo o coronel Theseo Toledo. Segundo o militar, foram usados mais de cem homens e um helicóptero na ação. Na quinta-feira (25), no entanto, as ruas já estavam desprotegidas, segundo a escritora Cláudia Antunes Jollo. “Hoje eu já saí várias vezes [de casa] e não vi nenhum [policial].”

A PM, no entanto, diz que mantém a operação no bairro e que ela “não tem data para acabar”.

Imóveis
A escritora reclama também da desvalorização dos imóveis no bairro – por conta da violência, segundo ela, que quer deixar o Morumbi. “Minha vontade é de ir embora, mas não dá para vender a casa porque vou pegar um terço do valor dela”, afirma. “Quem quer viver em um lugar onde você não pode por o lixo na rua com tranquilidade?”, completa.

Para o presidente do Sindicato da Habitação do Estado de São Paulo (Secovi-SP), João Crestana, esse temor da moradora do Morumbi não se confirma. “O preço dos imóveis na região não estão nem subindo nem caindo. Há uma estabilidade”, diz. Segundo Crestana, não há “nenhuma evidência” de alteração nos valores. “Pode ser uma maneira de chamar a atenção para um problema que é da cidade toda, de falta de segurança”, pondera. Fonte G1

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