Delegada Titular da 89 DP fala sobre criminalidade e segurança no Morumbi

Em entrevista exclusiva ao jornal Planeta Morumbi, a Delegada Titular da 89 DP (Portal do Morumbi), Dra Silvana Sentieri Françolin (foto), fala sobre a segurança no bairro e a visão da Polícia quanto a questões polêmicas.

Jornal Planeta Morumbi: Desde 2007, quando a senhora assumiu a titularidade da 89 DP (vinda da 7ª DP da Lapa), quais modificações foram implantadas nesta unidade da Polícia Civil, que comanda todo o bairro do Morumbi?
Dra Silvana Sentieri Françolin – Podemos dizer que estou aqui há um tempo razoável, mas algumas modificações já podem ser vistas. Pintamos o prédio da 89 DP, corrigimos seus problemas hidráulicos e elétricos e conseguimos formar uma equipe que tem tido resultados positivos nas investigações.
JPM: Uma das questões que vem gerando polêmica no Morumbi é o fato da Promotoria de Habitação e Urbanismo de São Paulo pedir a reabertura de ruas e vilas fechadas da capital, especialmente no bairro do Morumbi. Para a Presidente do Conselho de Segurança (Conseg) do Morumbi, Júlia Titz Rezende, o fechamento de ruas traz “maior segurança” ao bairro, que é vizinho da segunda maior favela da capital paulista, a Paraisópolis. Grande parte dos moradores também partiram em defesa do fechamento não só das ruas como das calçadas no Morumbi. Qual o posicionamento da Polícia neste assunto?
Dra Silvana – As ruas fechadas são realmente mais seguras. Especialmente porque muitas delas têm vigilância particular. Eu, à princípio, tirando esta parte administrativa, observando apenas o lado da segurança, também sou contra a reabertura destas ruas e vilas. Já temos exemplos, no bairro, de uma rua sem saída, próxima a Paraisópolis, que depois de aberta registrou um aumento no número de roubos e furtos, além de tornar-se um acesso mais rápido à favela. Definitivamente, as ruas fechadas são mais seguras.
JPM – O Morumbi é um bairro nobre com quatro favelas. É um bairro, portanto, onde o contraste social é muito acentuado. Como a Polícia lida com esta diferença?
Dra Silvana – Quando o assunto é a criminalidade, este contraste é um fator preocupante. A Av. Giovanni Gronchi é o ponto mais perigoso do Morumbi, especialmente nas proximidades do ‘escadão’ e do ‘ladeirão’, exatamente pela proximidade com a favela de Paraisópolis. A Polícia procura reforçar o policiamento nestes pontos, mas você policia um local e os marginais imediatamente migram para os outros. Essa disparidade social fica meio Rio de Janeiro também. Fica uma coisa complicada de você controlar.
JPM – Os bairros de Pinheiros, Vila Madalena e Morumbi, nesta sequência, são considerados os três bairros que encabeçam a lista de regiões onde acontecem mais roubos a condomínios. O que a Polícia tem feito neste sentido?
Dra Silvana – Aqui nós tevemos alguns roubos a condomínios, e nem vou dizer que é um número elevado, porque nós temos muitos condomínios. A população do Morumbi cresceu muito e o efetivo da Polícia permaneceu o mesmo. Então, tivemos um aumento no índice de criminalidade baseado nisso. É público que a Polícia Civil criou uma delegacia especializada em roubos a condomínios que tem tido sucesso nas investigações. Já registramos diversas prisões e desmontamos várias quadrilhas na região. Temos trabalhado sério nas investigações.
JPM – Existe uma projeção de que o Morumbi ganhe 400 novos condomínios em, no máximo, 4 anos. A Polícia está preparada para isso?
Dra Silvana – Não. Não está! Para começar, o trânsito vai virar um caos. Veja que já estamos registrando um número significativo de roubos no trânsito, no interior de veículos, exatamente porque ele é lento, quase parado. Por isso o ‘ladeirão’ não tem solução. Mas, qual é a alternativa? O Morumbi é um bairro que cresceu muito sem ter um planejamento. Como você sai do Morumbi sem ser pela Giovanni Gronchi? A Polícia tenta acompanhar este crescimento, mas é lento, porque temos o mesmo efetivo que tínhamos a alguns anos atrás. Não acompanhou o crescimento do bairro. O lado bom disso tudo é que embora não tenha crescido, registrou aumento em sua qualidade.
JPM – Voltando ao ‘ladeirão’, sabemos que é um foco de criminalidade no bairro, tendo em vista que somente nos meses de janeiro e fevereiro, foram registrados 111 casos de roubo por lá, quase 2 casos por dia. Qual a solução para aquele local?
Dra Silvana – Este ponto é muito preocupante. Existe uma reivindicação da população, junto à CET, para que se mude seu sentido. Ele passaria a ter somente o sentido de descida para o trânsito. A CET vem estudando  o assunto. Não vejo outra solução, a não ser que se coloque policiamento no ‘ladeirão’ inteiro, o que não poderia ser uma solução permanente. Podemos fazer isso por um ou dois meses, mas, não mais que isso. Eu penso que a mudança da mão seria uma boa alternativa para a diminuição da criminalidade por lá.
JPM – Quais os pontos mais preocupantes no Morumbi?
Dra Silvana – Sem dúvida, a Av. Giovanni Gronchi é a mais preocupante. Seu trânsito lento e sua proximidade com as favelas, facilita a fuga dos marginais. Eles praticam crimes e têm acesso muito rápido para estas comunidades. (matéria publicada na edição 61 do jornal Planeta Morumbi)
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